Valores a Receber: R$ 5,65 bi em julho e 69% dos registros até R$ 10
Balanço do Banco Central com data-base de julho de 2026, divulgado em 8 de setembro, soma R$ 5,65 bilhões a devolver. Veja a variação mês a mês, onde está o dinheiro e por que o total não indica o saldo do seu CPF.

O Sistema de Valores a Receber tinha R$ 5,65 bilhões disponíveis para devolução em julho de 2026, segundo o balanço que o Banco Central divulgou em 8 de setembro. O saldo subiu R$ 526 milhões em relação a junho, quando estava em R$ 5,12 bilhões, mesmo com R$ 322,5 milhões devolvidos no mês. São R$ 4,25 bilhões em nome de 23,57 milhões de pessoas físicas e R$ 1,40 bilhão em nome de 2,19 milhões de empresas. A próxima divulgação está marcada para 13 de outubro de 2026.
Ao ler qualquer número sobre o Valores a Receber, confira a data-base e a data de divulgação: o balanço divulgado em setembro descreve julho. O total de R$ 5,65 bilhões é agregado e não indica se há dinheiro no seu nome; para saber, faça a consulta individual no site do Banco Central, com CPF e data de nascimento, ou CNPJ e data de abertura. O próximo balanço está previsto para 13 de outubro de 2026.
| Mês-base (2026) | Saldo a devolver | Devolvido no mês | Variação do saldo |
|---|---|---|---|
| Fevereiro | R$ 10,55 bi | R$ 392,1 mi | — |
| Março | R$ 10,58 bi | R$ 411,3 mi | +R$ 21 mi |
| Abril | R$ 10,32 bi | R$ 483,3 mi | −R$ 251 mi |
| Maio | R$ 6,24 bi | R$ 482,8 mi | −R$ 4,08 bi |
| Junho | R$ 5,12 bi | R$ 339,9 mi | −R$ 1,12 bi |
| Julho | R$ 5,65 bi | R$ 322,5 mi | +R$ 526 mi |
O que o balanço de julho mostra
O painel Estatísticas do Valores a Receber, do Banco Central, registra R$ 5.649.290.545,11 disponíveis para devolução na data-base de julho de 2026. Pessoas físicas somam R$ 4,25 bilhões, em nome de 23.573.961 beneficiários, e empresas somam R$ 1,40 bilhão, em nome de 2.189.772. Desde a criação do sistema, R$ 16,15 bilhões já foram devolvidos: R$ 11,91 bilhões a 39,1 milhões de pessoas físicas e R$ 4,25 bilhões a 4,8 milhões de empresas. Somados, os valores a receber e os já devolvidos chegam a R$ 21,8 bilhões. Em abril, essa mesma soma era de cerca de R$ 25,3 bilhões. Como o total devolvido só cresce, a queda indica que parte dos valores saiu da base sem ter sido devolvida aos donos (cálculo do Pauta do Bolso com a série do painel).
Data-base e data de divulgação não são a mesma coisa
A data-base é o mês a que os números se referem. A divulgação é o dia em que o Banco Central publica o painel. O balanço divulgado em 8 de setembro de 2026 descreve a situação de julho, não a de setembro. Neste balanço, foram 39 dias entre o fim do mês-base e a publicação, cerca de seis semanas. O calendário do BC prevê as próximas divulgações para 13 de outubro, 10 de novembro e 8 de dezembro de 2026, às 11h; a de outubro deve trazer os dados de agosto. Ao ler qualquer notícia sobre o tema, confira o mês de referência antes de comparar números: dois textos publicados em meses diferentes podem estar falando do mesmo balanço.
Julho interrompeu uma sequência de quedas
Na série mensal do painel, o saldo a devolver ficou perto de R$ 10,5 bilhões de fevereiro a abril, caiu para R$ 6,24 bilhões em maio e para R$ 5,12 bilhões em junho, e voltou a subir para R$ 5,65 bilhões em julho, alta de 10,3% sobre junho. A subida aconteceu num mês em que R$ 322,5 milhões foram devolvidos, o menor valor da série de 2026 exibida no painel. Para o saldo crescer apesar dessas devoluções, entraram na base mais valores do que saíram. Em orientação geral, que não trata especificamente de julho, o BC informa que as instituições revisam seus cadastros e enviam periodicamente valores de situações antigas que ainda não estavam no sistema, além de valores de situações recentes. Em maio e junho aconteceu o contrário: o saldo caiu bem mais do que o total devolvido nos pedidos, o que indica saídas por outro motivo.
A queda de maio e a Medida Provisória do Novo Desenrola
O painel não explica a redução de R$ 4,08 bilhões entre abril e maio. No mesmo período, a Medida Provisória 1.355, de 4 de maio de 2026, determinou a transferência ao Fundo de Garantia de Operações (FGO) dos valores informados ao sistema até 31 de dezembro de 2024 e ainda não devolvidos, para garantir as renegociações de dívidas do programa Novo Desenrola Brasil, com reserva de um percentual para pedidos de devolução. Em 27 de maio, a Agência Brasil informou, citando o Ministério da Fazenda, que R$ 5,7 bilhões já tinham sido destinados ao FGO; na cobertura do balanço de julho, a agência atribuiu a esse repasse parte da redução do estoque nos meses anteriores. Pelo art. 13 da MP, os valores transferidos seguiam outro rito: o Ministério da Fazenda publicaria um edital com os montantes transferidos, e o titular teria 30 dias, contados da disponibilização do edital, para contestar a transferência. Por isso, a consulta ao sistema do BC mostra apenas os valores que continuam nele. A MP perdeu a eficácia, segundo o registro da matéria no Congresso Nacional, que tem até 30 de outubro de 2026 para editar um decreto legislativo sobre as relações criadas enquanto ela vigorou. Se esse decreto não for editado, essas relações continuam regidas pela MP, como prevê o art. 62, § 11, da Constituição.
Sete em cada dez registros não passam de R$ 10
Na distribuição por faixa, o painel conta 19,19 milhões de beneficiários (69,45%) com valores de até R$ 10; 5,24 milhões (18,97%), entre R$ 10,01 e R$ 100; 2,58 milhões (9,35%), entre R$ 100,01 e R$ 1.000; e 613,8 mil (2,22%) passam de R$ 1.000. Somadas as duas primeiras faixas, 88,4% dos registros são de até R$ 100. O BC avisa que o beneficiário com valores em mais de uma faixa é contado mais de uma vez. Por isso as faixas somam 27,6 milhões de registros, mais do que os 25,8 milhões de beneficiários da tabela por pessoa física e jurídica. Na prática, entre quem tem algum valor, quantias pequenas são o caso mais comum, e valores acima de R$ 1.000 são a exceção.
Bancos e consórcios concentram 77% do saldo
O painel também divide o saldo por tipo de instituição. Bancos respondem por R$ 2,38 bilhões (42,2% do total) e administradoras de consórcio, por R$ 1,96 bilhão (34,7%). Depois vêm cooperativas de crédito (R$ 762,7 milhões), instituições de pagamento (R$ 353,4 milhões), financeiras (R$ 114,6 milhões), corretoras e distribuidoras (R$ 69,4 milhões) e outras instituições (R$ 4,5 milhões). A comparação com os registros de beneficiários mostra perfis diferentes: instituições de pagamento reúnem 13,8% dos registros e só 6,3% do dinheiro, sinal de muitos saldos pequenos, enquanto cooperativas têm 6,7% dos registros e 13,5% do valor.
O total não diz nada sobre o seu CPF
Dividir R$ 4,25 bilhões por 23,57 milhões de pessoas físicas dá cerca de R$ 180, mas essa média não descreve ninguém: ela mistura milhões de saldos de centavos com poucos valores altos. Só a consulta individual responde se há algo no seu nome no sistema. Ela é feita no site do Banco Central com CPF e data de nascimento, ou CNPJ e data de abertura, sem login e sem custo. O caminho completo, da consulta ao pedido, está nos guias de Valores a Receber indicados nesta página.
Como ler o próximo balanço do Valores a Receber
- Confira no topo do painel a data-base e a data de publicação: a notícia descreve o mês-base, não o mês em que saiu.
- Compare o saldo a devolver com o do mês anterior na série mensal.
- Compare essa variação com o valor devolvido no mês para ver se entraram ou saíram valores por outros motivos.
- Leia as faixas de valor como registros, não como pessoas: quem tem valores em mais de uma faixa é contado mais de uma vez.
- Veja o peso de cada tipo de instituição, lembrando que consórcios enviam dados ao BC só a cada trimestre.
- Para saber do seu CPF ou CNPJ, faça a consulta individual; o painel não mostra dados de ninguém.
O painel traz apenas números agregados. Ele não informa valor de nenhum CPF ou CNPJ e não substitui a consulta no Sistema de Valores a Receber.
Perguntas frequentes
Por que o balanço divulgado em setembro fala de julho?
Porque o Banco Central publica cada balanço algumas semanas depois do fim do mês de referência. O próprio painel mostra os dois dados no topo: data-base 07/2026 e publicação em 08/09/2026.
Quando sai o próximo balanço?
O calendário de divulgações do Banco Central marca a próxima publicação das estatísticas do Valores a Receber para 13 de outubro de 2026, às 11h. Depois dela, vêm as de 10 de novembro e 8 de dezembro.
O saldo subir em julho quer dizer que apareceu dinheiro no meu CPF?
Não necessariamente. O aumento é a soma de valores informados ao sistema por instituições do país inteiro. Só a consulta individual mostra se algum deles está no seu nome.
Por que as faixas de valor somam mais registros do que o número de beneficiários?
Porque o Banco Central conta mais de uma vez quem tem valores em faixas diferentes. As faixas somam 27,6 milhões de registros, enquanto a tabela por pessoa física e jurídica traz 25,8 milhões de beneficiários com valores a receber.
Onde confiro esses números por conta própria?
No painel Estatísticas do Valores a Receber, no site do Banco Central. Ele traz data-base, data de publicação, totais por pessoa física e jurídica, a série mensal, a divisão por tipo de instituição e as faixas de valor, além do botão com o calendário de divulgações.
Fontes e critérios deste conteúdo
Fontes consultadas em 23/09/2026. Atualizado em .
- Banco Central — Estatísticas do Valores a Receber (data-base 07/2026, publicado em 08/09/2026) ↗
- Banco Central — passo a passo oficial do Valores a Receber ↗
- Banco Central — atualização dos dados do sistema ↗
- Banco Central — envio mensal de dados e trimestral para consórcios ↗
- Presidência da República — Medida Provisória nº 1.355/2026 (vigência encerrada) ↗
- Congresso Nacional — tramitação da MP 1.355/2026 ↗
- Presidência da República — Constituição Federal, art. 62, § 11 ↗
- Agência Brasil — transferência de R$ 5,7 bi ao FGO, segundo o Ministério da Fazenda (27/5/2026) ↗
- Agência Brasil — cobertura do balanço divulgado em 8/9/2026 ↗
Cálculos e quadros identificados como próprios são recursos educativos. Fontes oficiais conferidas na data indicada acima. O Pauta do Bolso não é órgão público, não faz consultas pelo leitor e nunca pede CPF, senhas ou dados bancários. Conheça nossa política editorial.
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